sexta-feira, julho 15, 2011

Jambreiro Cerevisiae Lundii

As cervejas artesanais brasileiras cada vez inovam mais e ousam em seus lançamentos, incluindo elementos regionais em suas receitas e não tendo receio em fazer novas experiências, o que geralmente rende bons frutos para os amantes de cervejas. Nesse contexto destacamos as cervejas artesanais de Minas Gerais, estado que organizou um concurso para eleger a melhor cerveja artesanal que agregasse elementos típicos , tentando criar dessa forma o que seria uma escola mineira de cerveja. A grande vencedora foi a Jambreiro Cerevisiae Lundii, que leva na receita doce de leite e  infusão de folhas verdes secas de Lippia Alba(conhecida também como erva cidreira de arbusto), aliados a um teor alcoólico de 10% ABV e personalidade de sobra. Um dos grandes destaques do conjunto é uma barrinha de doce de leite que acompanha a cerveja. Degustamos a Lundii e no final unimos o doce de leite, e realmente é uma sensação ímpar,pois a cerveja é bastante forte e complexa, e o doce de leite suaviza tanto aroma quanto paladar. Só nos resta parabenizar a Jambreiro pela ousadia e inovação.


Jambreiro Cerevisiae Lundii
Estilo: Other Smoked Beer
ABV 10%

Abaixo nossas impressões:
Cor marrom avermelhado, turva, com levíssima translucidez.
Espuma cor bege claro de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma defumado(envelhecido) muito presente, floral,herbal, condimentado(especiarias),adocicado(doce de leite), toque acre e álcool muito bem inserido.Aroma bastante complexo e diferente.
No paladar malte, caramelo,adocicado(doce de leite), herbal,leve frutado e amargor defumado.Novamente álcool muito bem inserido, com retrogosto amargo e levemente picante.Bom corpo e média carbonatação.
Cerveja interessantíssima. Juntamente com a barrinha de doce de leite forma uma grande experiência cervejeira.

Bodebrown Wee Heavy

A Bodebrown Wee Heavy, cerveja do estilo Strong Scotch Ale (tipicamente escocês), foi recentemente premiada no Mondial de la Biére de 2011, realizado em Montreal, no Canadá. Isso demonstra como cada vez mais as cervejas brasileiras estão sendo reconhecidas no exterior. Até pouco tempo atrás era comum europeus e norte-americanos terem a noção de que por aqui somente existiam cervejas "tropicalizadas", que apenas eram produzidas para matar a sede e combater o calor. Felizmente esse cenário esta mudando para melhor,e cada vez mais temos boas produções premiadas em destaque, o que acaba levando novos consumidores para o universo das cervejas artesanais. Parabéns á Bodebrown pelo belo trabalho.

Bodebrown Wee Heavy
Estilo: Strong Scotch Ale
ABV 8%

Abaixo impressões de degustação:
Cor marrom avermelhada, límpida e brilhante, com reflexos rubí.
Espuma cor bege de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte, caramelo, chocolate, açucar mascavo,baunilha, licor e álcool,com toque amadeirado e defumado.
No paladar malte, caramelo, amadeirado, chocolate, baunilha e adocicado.Bom corpo e média carbonatação.Álcool na medida, mas percetível. Retrogosto adocicado.
Boa cerveja. Bem encorpada e com muita personalidade.O toque defumado,o adocicado e o álcool formam uma combinação muito interessante.

quinta-feira, julho 14, 2011

Samuel Smith's Imperial Stout

Essa cerveja é possívelmente a "mãe" de todas as Imperial Stouts que hoje conhecemos. Fabricada desde 1847 na cidade inglesa de Tadcaster  pela cervejaria Samuel Smith's, tem como um grande diferencial seu tradicional método de fermentação em tanques de pedra (Yorshire Squares) , que conferem á cerveja mais cremosidade e corpo. Seu teor alcoólico de apenas 7% (pouco, se compararmos com uma Imperial Stout atual, que facilmente pode passar de 10%) deixa transparecer todo o seu delicioso aroma de malte torrado, chocolate e frutas escuras, aliado a um paladar magnífico e licoroso.
É considerada até os dias de hoje uma das melhores Imperial Stouts fabricadas na Inglaterra.

Samuel Smith's Imperial Stout
Estilo: Russian Imperial Stout
ABV 7%

Abaixo impressões de nossa degustação:
Cor negra, brilhante, sem translucidez.
Espuma cor bege escuro de boa densidade. Boa formação e duração. Após alguns instantes permanece apenas uma fina  camada, que dura até o final.
Aroma de malte torrado, frutas escuras secas (ameixas,uva passa) bem presentes, chocolate, caramelo, baunilha, melado, açucar mascavo, toque de nozes, amadeirado e leve álcool. Boa complexidade.
No paladar malte torrado, frutas escuras, chocolate, melado, leve álcool e toque amargo. Bom corpo, baixa carbonatação e retrogosto levemente amargo. Textura licorosa.
Bela cerveja. Muito saborosa e aromática.

Hoegaarden Rosée

A cerveja belga Hoegaarden é bem conhecida por quem gosta de cervejas refrescantes e aromáticas. Suas notas de laranja, malte e especiarias conquistam cada vez mais um grande número de apreciadores, tanto no Brasil quanto no exterior. O fato de ser fabricada e distribuida por um grande conglomerado cervejeiro facilita a sua venda, e é possível encontrá-la desde lojas especializadas em cervejas até pequenas padarias.
A cerveja que degustamos (Rosée) é uma variação da Hoegaarden tradicional, muito leve e agradável, e leva framboesas na fórmula. Comentamos um pouco sobre ela abaixo.


Hoegaarden Rosée
Estilo: Fruit Beer
ABV 3%

Cor desde marrom avermelhado até tons de rosa, turva, com alguma translucidez.
Espuma rosa claro de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma cítrico e avinagrado, com presença de frutas vermelhas (morango,framboesa), especiarias, amadeirado e adocicado. Sensação frisante no nariz. Aroma agradável e com certa complexidade.
No paladar frutas vermelhas, cítrico, leve amadeirado e adocicado.Na boca toque azedo e levemente picante. Corpo leve e boa carbonatação, com retrogosto levemente amargo.
Cerveja bem interessante. Apesar de leve tem personalidade e um drinkabillity absurdo. Lembra um pouco uma cerveja Kriek.


quarta-feira, julho 13, 2011

Traquair Jacobite Ale

A cervejaria Traquair (fabricante da famosa Traquair House Ale) está entra as mais tradicionais da Escócia, e fica situada em um antigo castelo, que é misto de pousada, restaurante e cervejaria. Seu processo de fabricação ainda é bastante artesanal se comparado à outras cervejarias do Reino Unido, que apresentam instalações modernas e com grande capacidade de produção, o que confere a Traquair um status de qualidade ainda maior. Prova disso é que toda a produção que é acondicionada em garrafas tem de ser feita em outra cervejaria, pois eles mesmos não possuem engarrafadora. Degustamos a Jacobite Ale, uma cerveja com toques de especiarias e chocolate, aliados a uma boa potência alcoólica e dulçor que equilibra todo o conjunto. Vale á pena visitar o site, que também é uma aula de história: http://www.traquair.co.uk/

Traquair Jacobite Ale
Estilo: Traditional Ale
ABV 8%

Abaixo nossas considerações:
Cor marrom escuro, com levíssimos reflexos avermelhados.
Espuma cor bege claro de média densidade, boa formação e média duração.
Aroma de malte, melado, caramelo, frutas escuras secas (ameixa), especiarias (coentro e sugestão de pimenta), chocolate, leve toque de aniz, licor e álcool. Boa complexidade.
No paladar malte, melado,caramelo, frutas escuras e chocolate. Bom corpo e baixa carbonatação. Álcool bem inserido, com retrogosto frutado e adocicado. Textura levemente licorosa.
Boa cerveja. O toque de especiarias só coroa o bom conjunto existente..

segunda-feira, julho 11, 2011

Mesa de Bar (On Tap) : Maredsous Blond

As cervejas de abadia Maredsous são fabricadas pela cervejaria belga Moortgat (a mesma que fabrica a cerveja Duvel), embora os monges tenham controle sobre o processo até os dias atuais. A diferença para as cervejas trapistas é que as de abadia hoje são fabricadas fora dos mosteiros, o que não lhes dá o direito de ostentar o selo trapista, somente o selo para cervejas de que ainda seguem o estilo de cervejas de abadia, mas podem ser fabricadas em qualquer lugar ou estrutura, desde que sob a supervisão do monastério de origem. Degustamos no Biermarkt a versão de barril da Maredsous 6% ABV  blond, que é a mais leve e menos complexa do que as versões com 8% e 10% ABV, mas nem por isso com menos aroma e sabor. Abaixo nosso comentário.


Maredsous Blond
Estilo: Belgian Ale
ABV 6%

Cor âmbar/dourada levemente turva.
Espuma cor branca de boa densidade.Boa formação e média duração.
No aroma presenças de malte, caramelo, adocicado, leve frutado e toque fresco da levedura.
No paladar malte, caramelo, adocicado e levedura. Corpo médio e boa carbonatação, com retrogosto adocicado.
Boa cerveja. Apesar de leve tem boa personalidade.

quinta-feira, julho 07, 2011

Founders Breakfast Stout

Essa cerveja sazonal (vendida somente no outono norte-americano) da cervejaria Founders tem aroma e paladar de café simplesmente impressionantes (das variedades Kona e Sumatra), aliado a doses generosas de flocos de aveia, chocolates amargos importados e lúpulo. É uma cerveja bastante robusta e encorpada, com um amargor bem destacado, teor alcoólico de 8.3% e uma espuma maravilhosa e espessa. Contudo ela está longe de ser enjoativa e possui um bom conjunto, se pensarmos que ela é uma cerveja para degustação, e não para matar a sede. Ja havíamos degustado a  Founders KBS, cerveja stout mais potente e maturada em barris de  bourbon, e notamos que ela guarda alguma semelhança em alguns pontos com a Breakfast Stout, embora na primeira tudo seja mais extremo.


Founders Breakfast Stout
Estilo: Oatmeal Stout
ABV 8.3%
IBU 60

Abaixo impressões de nossa degustação:
Rótulo muito criativo e sugestivo.
Cor negra, opaca, sem translucidez.
Espuma bege escuro de boa densidade. Ótima formação e boa duração.
Aroma de malte torrado, aveia, café bastante pronunciado, amadeirado, nozes, avelãs, chocolate, caramelo, baunilha, lúpulo, whisky, licor de cacau e álcool perceptível. Aroma de ótima complexidade.
No paladar malte torrado, café, amadeirado, whisky e chocolate e amargor bem presente. Álcool bem inserido, com toque picante na boca e textura licorosa. Ótimo corpo, com média carbonatação e retrogosto bem amargo.
Belíssima cerveja. Muito intensa a ao mesmo tempo equilibrada.



Samuel Adams Utopias

Faz bastante tempo que queríamos degustar essa cerveja, que assim como outras semelhantes, nos faz refletir sobre o que realmente é a cerveja e quão diversas e fantásticas podem ser suas variações. A Samuel Adams Utopias tem seu processo de produção espelhado nos fabricantes de whisky, que unem diversos tipos de blends de maltes e maturação em barris de carvalho para chegar em produtos complexos e de alto refinamento. A Utopias é feita de blends de cervejas de diversas idades, em conjunto com maturação em diversos barris de carvalho, que podem ter abrigado conhaque, bourbon e até vinho. Isso ajuda a formar uma cerveja extremamente complexa e com muitas possibilidades, tanto no aroma quanto no sabor, que deixam qualquer apreciador de cerveja nas nuvens. Abaixo comentamos sobre ela.


Samuel Adams Utopias
Estilo : Specialty Beer
ABV 27%

Cor marrom escuro, com reflexos avermelhados, lembrando licor de cacau. Textura super licorosa.
Sem espuma.
Aroma de malte, caramelo, melado, licor de cacau, frutas escuras secas (ameixa,uva passa, figo),frutas vermelhas maduras (amora,framboesa), nozes, amadeirado, chocolate, baunilha, rum e álcool bem destacado.Aroma muito complexo e potente.
No paladar malte, caramelo, chocolate, melado, leve amadeirado, frutas vermelhas e escuras.Álcool bem presente mas contido, textura licorosa e sensação quente na boca e na garganta.Retrogosto levemente amargo. Paladar igualmente complexo.
Belíssima cerveja. Muito aromática e complexa.

quarta-feira, julho 06, 2011

Diefen Imperial Stout

Garimpando algumas cervejas artesanais num fim de semana desses, descobrimos a Diefen Imperial Stout, cerveja que é produzida em Porto Alegre. Nos surpeendemos positivamente com os aromas e sabores da receita, além da qualidade da cerveja como um todo. O pessoal da Diefen acertou na "mosca", e desenvolveu uma Imperial Stout bem dentro do estilo, e com álcool na medida. Comentamos um pouco sobre ela abaixo.

Diefen Imperial Stout
Estilo: Russian Imperial Stout
ABV 8.5%

Cor negra, brilhante, sem translucidez.
Espuma cor bege de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte torrado, sugestão de aveia, caramelo, baunilha, chocolate, melado, frutas escuras secas (ameixa,uva passa), leve toque amadeirado e de lúpulo com álcool bem inserido. Aroma agradável e de boa complexidade.
No paladar malte torrado, frutas escuras, chocolate, melado, licor de cacau e presença do álcool.Bom corpo e média carbonatação, com retrogosto levemente amargo e alcoólico.
Boa cerveja artesanal. Uma grata surpresa.

segunda-feira, julho 04, 2011

Abadessa Emigrator 2011

Todos os anos desde 2006, durante o inverno, a cervejaria Abadessa libera para venda a sua já conhecida cerveja sazonal do estilo Doppelbock, batizada de Emigrator, com teor alcoólico de 7.2% ABV e mais encorpada que uma cerveja Bock tradicional. Sua receita tem como referencial a bebida que os monges alemães consumiam durante o período da quaresma, época na qual deviam fazer jejum.
A criação da Emigrator Doppelbock é resultado de uma parceria com a cervejaria alemã Krone, fabricante da famosa Doppelbock Coronator, e tem a supervisão do mestre cervejeiro Fritz Tauscher.
Parabéns ao propietário da cervejaria,  Herbert Schumacher, por manter essa tradição.


Abadessa Emigrator Doppelbock
Estilo: Doppelbock
ABV 7.2%

Abaixo impressões de nossa degustação:
Cor negra, brilhante, com levíssimos reflexos rubí.
Espuma cor bege de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte torrado, caramelo, chocolate, baunilha, adocicado, açucar mascavo, frutas escuras secas(ameixas), tofee e leve álcool. Aroma agradável e de boa complexidade.
No paladar malte torrado, caramelo, chocolate, frutas escuras, tofee, leve toque de melado e bom amargor. Presença do álcool, com bom corpo e boa carbonatação. Retrogosto levemente adocicado.
Boa cerveja. Bem equilibrada. Perfeita para os dias mais frios.



quinta-feira, junho 30, 2011

Bodebrown Hopweiss

Mudar o padrão de um ícone nunca é fácil, sempre se corre o risco de comparações com as coisas que já estamos acostumados e aprendemos a gostar com o passar do tempo, principalmente quando a tradição está associada á esta situação. Com cervejas isso também não é diferente, mudar um estilo já consagrado há muito tempo desperta uma certa estranheza ou até receio de perdermos nosso referencial, ainda mais quando a tão afamada Reinheitstgebot (Lei de pureza alemã de 1516) está envolvida. Felizmente na nossa opinião isso não aconteceu com a versão mais lupulada de uma Weissbier feita pela cervejaria Bodebrown, de Curitiba, que consegue manter a base da Weissbier tradicional (com seu característico aroma de cravo e banana e espuma densa e persistente) e ainda acrescentar um delicioso toque de lúpulo Amarillo á receita.
O próprio rótulo já nos passa a mensagem de que decididamente o conteúdo não é de uma Weiss tradicional, já que os rótulos da maioria das Weiss são bastante clássicos. Parabéns á Bodebrown pela criação e ousadia. Abaixo nossos comentários sobre a cerveja.


Bodebrown Hopweiss
Estilo: Specialty beer
ABV 5%

Belo rótulo, bastante psicodélico.
Cor dourada, levemente turva e com formação de perlage.
Espuma de cor branca de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte, cítrico (laranja,maracujá), floral, mel, lúpulo, herbal, com presença de cravo, banana e tutti-frutti. Boa complexidade.
No paladar malte, adocicado, mel,  amargor do lúpulo, floral e cítrico. Corpo médio, boa carbonatação e retrogosto floral e adocicado.
Boa cerveja. O lúpulo só veio para somar.



Brewdog Punk IPA (de latinha)

Que a cervejaria escocesa Brewdog faz produções de muita personalidade, sejam as cervejas comuns ou extremas, não é novidade para quem gosta de cervejas especiais. O que talvez seja mesmo uma surpresa é a venda de algumas dessas produções em latas, versão para venda que a grande maioria das cervejarias que produzem  cervejas artesanais ou especiais não utiliza, ou pelo menos não utilizava, pois é uma tendência que cada vez está ganhando mais espaço. Seja na Europa ou nos Estados Unidos, o envasamento de cervejas em lata está sendo bastante difundido, e melhor, as cervejas não estão perdendo em qualidade. Degustamos uma lata da Brewdog punk IPA, e notamos que ela não apresenta maiores diferenças para a mesma cerveja engarrafada. O frescor do lúpulo e os aromas adocicados e florais estavam bem destacados.


Brewdog Punk IPA
Estilo: India Pale Ale
ABV 5.6%
IBU 45

Abaixo impressões da nossa degustação:
Cor âmbar, levemente turva.
Espuma cor branca de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte, adocicado, leve caramelo, herbal, floral ,mel, cítrico e lúpulo bem presente. Aroma bastante agradável e com boa complexidade.
No paladar malte,  adocicado, lúpulo, herbal, floral, cítrico e mel. Bom corpo e média carbonatação. Toque levemente picante na boca, com retrogosto amargo.
Boa cerveja. Com boa presença do lúpulo.




segunda-feira, junho 27, 2011

Start the Future 60% ABV

Na última semana degustamos uma cerveja que (por enquanto) é a campeã em ABV (teor alcoólico) da chamada guerra das cervejas mais fortes do mundo. A Start the Future, fabricada pela cervejaria holandesa Hetkoelschip, está no topo do ranking com seus 60% de teor alcoólico, superando as cervejas  da escocesa Brewdog (aquela das garrafas envoltas por animais empalhados), que chegavam a 55%. Para se ter uma idéia e fazer uma comparação, um whisky tem por volta de 40% de teor alcoólico. Claro que beber uma garrafa dessas sozinho não teria a menor graça, muito menos a possibilidade de ser consumida por uma única pessoa. Então um grupo de blogueiros e cervejeiros reuniu-se no Biermarkt, um dos templos da cerveja em Porto Alegre, para dar suas impressões sobre essa cerveja no mínimo curiosa.
As reações foram as mais diversas: houve quem comparasse com licor, outros com cachaça aromatizada, alguns falavam do alto teor alcoólico e outros que ainda era possível sentir algo de cerveja em tamanha potência de álcool. O fato é que só realmente experimentando para saber o que é. Abaixo nossas impressões.


HetKoelschip Start The Future
Estilo: Specialty Beer
ABV 60%

Cor ambar/amarelada, límpida e com textura licorosa.
Sem qualquer espuma.
Aroma tomado pelo álcool muito forte,lembrando um destilado aromatizado,mas ainda é possível perceber algo de malte e lúpulo.
No paladar álcool,algo maltado,amargor, sensação de ardência e posterior dormência na boca.Na garganta sensação rascante.Textura lembrando um licor.
Realmente uma experiência única.


Mesa de Bar (On Tap): Brewdog 5 A.M. Saint

Nunca tínha-mos degustado essa cerveja, mesmo na versão engarrafada, pois preferimos apostar nas brewdog mais alcoólicas e lupuladas (como a Paradox, a Hardcore e a Tokyo), até que apareceu a oportunidade de provar uma Brewdog direto do barril, no EAP. A Brewdog 5A.M. Saint nos surpreendeu positivamente, pois apesar de leve e com médio teor alcoólico apresenta boas notas maltadas e carameladas, com uma presença espetacular do lúpulo, muito fresco e presente. Abaixo nossas impressões sobre essa cerveja.


Brewdog 5 A.M Saint
Estilo: Amber Ale
ABV 5%
IBU 25

Cor âmbar/avermelhada, brilhante e levemente turva.
Espuma cor bege de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte, caramelo, leves toques cítricos, adocicados e de baunilha, herbal e lúpulo bem presentes.
Aroma muito agradável.
No paladar malte, caramelo, amargor, lúpulo e leve adocicado. Bom corpo e carbonatação, com retrogosto amargo.
Boa cerveja, com um toque bem lupulado e bastante personalidade.

segunda-feira, junho 20, 2011

Surly Darkness 2010

Assim como acontece em muitas cervejarias, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, determinadas épocas são eleitas para a liberação de venda de produtos especiais e que não estão inclusos no portifólio de cervejas de produção regular, são as chamadas cervejas sazonais ou especiais. Sazonais geralmente estão relacionadas ás estações do ano ou á uma data específica, enquanto as especiais não dependem de uma data oficial e podem ser vendidas como em edições comemorativas por exemplo. Nos Estados Unidos muitas dessas cervejas são ansiosamente aguardadas pelos fãs todos os anos, o que faz com que sua procura aumente sempre mais e torne sua fama cada vez maior. A cerveja Surly darkness é um exemplo, liberada para venda sempre no mês de outubro, tem seu famoso Darkness Day, onde são vendidas no máximo 6 garrafas por consumidor e existem uma série de regras para poder comprar. Conseguimos uma do ano de 2010 para degustação (rótulo vampiro), e realmente trata-se de uma cerveja ímpar, muito bem feita.

Surly Darkness 2010
Estilo: Russian imperial Stout
ABV 9.8%
IBU 85

Abaixo impressões de nossa degustação:
Cor negra, brilhante, sem translucidez.Textura sedosa e espessa ao servir no copo.
Espuma cor bege escura de boa densidade, boa formação e duração.Lembra um pouco café expresso.
Aroma de malte torrado, café, chocolate, caramelo, baunilha, melado,leve amadeirado, lúpulo bem presente, frutas escuras secas(ameixa,uva passa,figo),leve adocidado, licor e rum .Álcool bem presente mas não exagerado.Ótima complexidade de aromas, com muitas possibilidades.
No paladar malte torrado, café, caramelo, baunilha, chocolate amargo, lúpulo novamente destacado, frutas escuras, leve adocicado e amadeirado. Bom corpo, baixa carbonatação e álcool muito bem inserido. Textura sedosa na boca e levemente rascante na garganta, com retrogosto amargo.
Belíssima cerveja,com aroma e sabor bastante complexos e ao mesmo tempo equilibrados. O álcool é muito bem inserido e deixa espaço para os aromas torrados, frutados e adocicados aflorarem. No paladar acontece o mesmo.



quinta-feira, junho 16, 2011

Dogfish Head Theobroma

 A cervejaria Dogfish Head, que está sediada na costa leste norte-americana, certamente está entre as mais inventivas dos Estados Unidos, sempre com receitas inovadoras e que não raramente vêm para quebrar regras, ou no mínimo sair do lugar comum. A cervejaria fabrica uma série especial que tem como base achados arqueológicos, geralmente algum recipiente encontrado durante escavações que contenha vestígios de algum líquido que era consumido na época pesquisada. Como exemplos dessa série especial existem a Chateau Jiahu, baseada em uma antiga bebida chinesa, e a Midas Touch, que tem como referência uma bebida encontrada na tumba do Rei Midas, na Turquia. A cerveja que degustamos é a Theobroma (ou comida dos deuses), baseada em uma antiga receita Maia, que levava cacau, chocolate e especiarias, e foi encontrada em um sítio arqueológico de Honduras.
Certamente essas cervejas estão adaptadas ao paladar do mundo atual, e independente de serem boas receitas ou não vale mais a inventividade do fabricante e a curiosidade de quem prova.


Dogfish Head Theobroma
Estilo: Traditional Ale
ABV 9%
IBU 8

Bonito rótulo, bem trabalhado.
Cor âmbar, límpida e brilhante, com algumas partículas em suspensão.
Espuma branca de boa densidade, boa formação e média duração.
Aroma de malte, adocicado,frutado, especiarias, leve toque de cacau e chocolate, presença de uvas brancas e algo cítrico, mel e álcool. Aroma de certa complexidade, porém fraco.
No paladar malte, adocicado, mel, leve toque cítrico e álcool muito pronunciado. Corpo médio, com baixa carbonatação e final adocicado.
Vale mais pela curiosidade de provar e pelo marketing, pois a cerveja em si não é equilibrada nem muito complexa, além do mais os aromas e sabores de cacau e chocolate são muito discretos.

quarta-feira, junho 15, 2011

Westvleteren 8

Degustamos recentemente a Westvleteren 8, cerveja que fica em termos de força alcoólica entre a 12 (Abt/Quadrupel), que já foi degustada por nós, e a Blond (Belgian Ale), que degustaremos em breve, fechando a trilogia atual de uma das cervejas mais famosas do mundo. Para alguns apreciadores a 8 é inclusive superior á 12 em complexidade, mas daí vai do gosto pessoal de cada um, pois as duas são cervejas fantásticas. Descrevemos abaixo a nossa degustação:



Westvleteren 8
Estilo: Belgian Dark Strong Ale
ABV 8%

Cor marrom escuro com reflexos avermelhados.Média turbidez.
Espuma bege de média densidade,boa formação e duração.
Aroma de malte, caramelo, toques frutados e fenólicos, panetone, baunilha, passas ao rum, ameixas e álcool.Ótima complexidade.
No paladar malte levemente torrado, caramelo, rum e ameixas.Textura aveludada com final amargo e presença do álcool, que é bem inserido.
Cerveja complexa e maravilhosa, uma das melhores trapistas.

segunda-feira, junho 13, 2011

Christoffel Winterse Bok

Dando uma "arrumada na adega" e olhando algumas datas de validade  lembramos dessa Christoffel Bok ,que havia sido comprada há um bom tempo em uma promoção e estava esperando para ser degustada em um clima um pouco mais frio. Essa linha de cervejas já é bem conhecida por aqui, todas são não filtradas e não pasteurizadas, o que lhes dá um caráter todos especial, e inclusive já conhecíamos a versão menor dessa bok, em simpáticas garrafas swing top (com tampa cerâmica e vedação com borracha) de 330ml. A versão de 2 litros que degustamos vem em um biersiphon decorado e com o mesmo sistema de abertura swing top, e mesmo passados alguns meses de sua data final de validade a cerveja ainda estava em boas condições e proporcionou uma ótima degustação.
O interessante é que o biersiphon pode ser usado após o consumo do líquido para acondicionar cerveja em bares ou cervejarias, e consumir posteriormente no local de sua preferência.


Christoffel Winterse Bok
Estilo: Doppelbock
ABV 7.8%

Abaixo impressões de nossa degustação:
Cor marrom escuro, turva, com leves reflexos avermelhados.
Espuma cor bege de boa densidade. Boa formação e média duração.
Aroma de malte tostado, caramelo, chocolate, frutas escuras (ameixa,uva passa), melado, licor, adocicado, toque de nozes e avelãs e leve álcool. Bom aroma, bastante agradável.
No paladar malte tostado, caramelo, frutas escuras, chocolate, melado, licor de cacau, adocicado e álcool bem inserido. Bom corpo, média carbonatação e textura levemente licorosa.
Boa cerveja. Bem encorpada e aromática.



quarta-feira, junho 08, 2011

Perigosa Imperial IPA

Há algum tempo estávamos atrás dessa cerveja, que vem dando o que falar no cenário das artesanais nacionais, mercado que não para de crescer e cada vez apresenta mais novidades aos consumidores. Fabricada pela cervejaria Bodebrown, de Curitiba, a linha de cervejas imperial da perigosa (que antes era conhecida por "venenosa" e conta ainda com wee heavy, porter, milk stout e imperial stout) tem como sua característica produzir cervejas extremas, com alto teor alcoólico e boas doses de malte e lúpulo. Degustamos uma imperial IPA, que é bem fiel ao estilo e se assemelha muito ás norte-americanas, pena termos conseguido somente uma garrafinha. Párabens á Bodebrown pela criação e qualidade da cerveja.


Perigosa Imperial IPA
Estilo: Double/Imperial IPA
ABV 9.2%

Abaixo impressões da nossa degustação:
Cor âmbar escuro/avermelhada levemente turva, com reflexos alaranjados.
Espuma cor bege clara de boa densidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte, caramelo, herbal, lúpulo bem destacado, adocicado, baunilha, leves toques cítricos, frutados e amadeirados e presença do álcool. Boa complexidade.
No paladar malte, caramelo, amargor do lúpulo, herbal, leve adocicado e álcool presente mas inserido no conjunto.Bom corpo, média á baixa carbonatação e retrogosto amargo. Textura levemente licorosa e rascante.
Bela cerveja, potente e com muita personalidade. Mesmo com tanta força existe um bom conjunto.



segunda-feira, junho 06, 2011

Mesa de Bar (On Tap) : Delirium Tremens

A cerveja Delirium Tremens é fabricada na Bélgica pela cervejaria Huyghe, e é reconhecida mundialmente pela sua qualidade e também pelo seu simpático mascote, um elefantinho cor-de-rosa, que ilustra o estado etílico que da nome á cerveja. O aroma típico e característico dessa cerveja vem de uma exclusiva mistura de 3 tipos de fermento, maltes e lúpulos especiais, que fizeram ela faturar o título de melhor do mundo em 1998, na World Beer Championship, em Chicago. Degustamos a versão "on tap" dessa cerveja no EAP (Empório alto de pinheiros) e deixamos nossas impressões.


Delirium Tremens
Estilo: Belgian Strong Golden Ale
ABV 8.5%

Cor dourada, levemente turva e com bonito perlage.
Espuma cor branca de boa densidade e cremosidade. Boa formação e duração.
Aroma de malte, cítrico (laranja,abacaxi), adocicado, herbal, lúpulo, aniz, floral, álcool, esterificado e leve fenólico. Boa complexidade.
No paladar malte, adocicado, cítrico, floral, herbal e álcool bem inserido. Toque picante na boca, com bom corpo e boa carbonatação.
Bela cerveja. Servida do barril fica maravilhosa e com um frescor magnífico.